Uma das máximas mais importantes do investidor inteligente é, sem dúvida: diversificar sua carteira de investimentos. Nesse sentido, um bom fundo multimercado oferece justamente esta possibilidade.

Isso porque ele pode ter diferentes ativos como parte de sua estratégia. Por exemplo, é possível que um fundo de hedge mantenha posições em ações, renda fixa, forex e até criptomoedas.O fundo de hedge é, portanto, uma opção interessante para diversificar ativos a fim de minimizar o risco. Mas isso não é tudo.

Como funciona um fundo de hedge?

Na prática, um fundo de hedge funciona como qualquer outro fundo de hedge que você já conheça. Ou seja, tem uma estratégia, detalhes específicos de como aplicar, resgate e taxas.

O que muda mesmo é a possibilidade de construir uma carteira mais diversificada com ativos de diferentes características.

O objetivo de um bom fundo multimercado é sempre bater o benchmark, mas com risco bem controlado.

Não é incomum que fundos desse tipo consigam bater indicadores como o CDI. E com baixa volatilidade.

Em outras palavras, é possível obter retornos que superam em muito os títulos tradicionais de renda fixa. Porém, sem correr um risco tão alto.

A diferença, porém, é que não há garantia do FGC para os recursos. Por isso, é importante saber escolher fundos seguros e com bom histórico de pagamentos.

Taxas

Em termos de taxas, o funcionamento também é semelhante a outros tipos de fundos mútuos. Certamente há uma taxa de administração e uma taxa de performance.

 

Por isso, é importante procurar fundos com taxas de administração mais baixas. Por fim, afetam a rentabilidade líquida final.

No entanto, uma análise pura da taxa de administração não é suficiente. Porque a estratégia do fundo pode ser diferenciada e assim justificar uma taxa mais elevada.

A este respeito, o funcionamento de um fundo multimercado pode se desviar um pouco do padrão.

Portanto, rentabilidade, estratégia e risco perfil são mais importantes do que uma consideração isolada das taxas aplicáveis.

Fundo Multimercado - Dinheirama

Crédito: Pexels

Tributação do fundo multimercado

A saber, os fundos multimercado costumam ser tributados. Em sua maioria, da mesma forma que os fundos de renda fixa.

Além da cobrança do Imposto de Renda (IR), há também a incidência de IOF. Isso caso o resgate seja feito em menos de 30 dias a contar da aplicação.

Em resumo, a tributação dos fundos multimercado segue a seguinte tabela de alíquotas regressivas:

Fundos de curto prazo

Prazo Alíquota
Até 180 dias de aplicação 22,5%
Acima de 180 dias de aplicação 20%

Fundos de longo prazo

Prazo Alíquota
Até 180 dias de aplicação 22,5%
De 180 a 360 dias de aplicação 20%
De 361 a 720 dias de aplicação 17,5%
Acima de 720 dias de aplicação 15%

Atenção para um aspecto importante: a cobrança do IR em vários fundos multimercado ocorre de forma semestral. Então é aqui que entra a famosa figura do “come-cotas”.

Como assim? Em resumo, no último dia útil dos meses de maio e novembro, os administradores calculam o imposto devido.

Eles fazem isso considerando a menor alíquota de cada categoria (curto ou longo prazo).

O pagamento do imposto, então, é feito a partir do recolhimento de cotas do fundo. Por isso, este tipo de cobrança recebeu o nome de “come-cotas”.

No entanto, existem fundos multimercado com tributação diferente. Os fundos com predominância de ações podem ser enquadrados como fundos de ações, por exemplo.

Vale a pena investir em fundo multimercado?

Você quer criar uma carteira de investimentos diversificada e com proteção? Então, sim, vale a pena ficar de olho e investir em fundo multimercado.

A regra de ouro dos investimentos é “nunca colocar todos os ovos em uma mesma cesta”. E o fundo multimercado tem vários ativos diferentes como parte de sua estratégia.

Além disso, existem alguns fundos deste tipo com propostas específicas de proteção – ou hedge. Ou seja, rentabilidade e segurança mesmo em tempos difíceis.

Vantagens

Veja abaixo algumas vantagens de fundo multimercado:

  • Diferentes estratégias e perfis de risco;
  • Gestão profissional para alocação entre diferentes ativos;
  • Rentabilidade costuma ser mais elevada que o CDI, principal benchmark;
  • Diversificação;
  • Muitas opções e gestoras no mercado.

Desvantagens

Como desvantagem principal, aparecem certamente os custos. Em geral, as taxas de administração e performance costumam ser elevadas.

No entanto, não significa que, por serem mais altas, o fundo vá ser ruim para o investidor. Mas é essencial analisar com muito cuidado.

Pode ser que no curto prazo o investimento não seja tão interessante quanto outro com custos mais baixos. Mas, no longo prazo, a busca por performance costuma compensar.

Em outras palavras, com o tempo, o fundo multimercado bem gerido tende a oferecer um resultado líquido vantajoso ao investidor. Mesmo com as taxas mais salgadas.

Outros pontos que merecem atenção são a estratégia, a escolha de ativos e a alocação. Não chega a ser uma desvantagem, mas tudo isso será responsabilidade do gestor.

Ou seja, enquanto investidor, você não “apitará” nas escolhas de ativos. E em algum cenário isso pode significar rentabilidades negativas ou abaixo da média.

Muitos fundos deste tipo operam com alavancagem. Por isso o retorno pode ser assustador em alguns casos específicos, para o bem e para o mal.

Por fim, há uma potencial desvantagem no sentido da liquidez. Afinal, fundos assim costumam ter resgates depois de 30 dias ou mais.

Digo potencial porque isso é mais uma característica que um problema. Mas é essencial prestar atenção neste detalhe antes de investir.

Como analisar e escolher fundo multimercado

Agora, apresento algumas sugestões para analisar melhor as opções de fundo multimercado.

Eu gosto sempre de começar a escolher pelo tipo de estratégia. Que tipo de alocação o fundo faz e quais os principais ativos da carteira?

O olhar crítico em relação ao histórico de rentabilidade também é importante. Assim você consegue avaliar como o fundo atravessou momentos desafiadores da economia.

Os resultados em momentos de crise contam muito sobre a gestão. Portanto, atenção redobrada neste tipo de avaliação.

Observe também as características do fundo quanto ao aporte mínimo. Além disso, olhe também para o prazo de carência para resgate e as taxas de administração e performance.

Compare diferentes fundos de maneira inteligente, analisando fundos de estratégias semelhantes.

Evite um olhar muito amplo, pois isso pode colocar fundos diferentes sendo comparados, o que não faz sentido.

Por fim, procure saber como os fundos são avaliados pelas agências de risco ou casas de análise independentes.

Fundo Multimercado - Dinheirama
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Tipos de fundo multimercado

A Anbima criou uma classificação dos fundos multimercado, resumida nos dizeres abaixo:

Balanceados

Adotam uma estratégia de alocação pré-determinada, Especificam o mix de investimentos nas diversas classes de ativos, incluindo deslocamentos táticos e políticas de rebalanceamento explícitas.

O benchmark deve acompanhar a composição desse mix, o que significa que seu desempenho não deve ser comparado a uma única classe de ativos (CDI, por exemplo). Não admitem alavancagem;

Dinâmicos

Adotam uma estratégia de alocação, mas não se comprometem com um mix pré-determinado de ativos. São mais flexíveis que os balanceados, podendo reagir às condições de mercado e ao horizonte de investimento. Admitem alavancagem;

Livre

Não têm um compromisso de concentração em uma estratégia específica de investimento. Por incluir uma variedade de possibilidades, essa categoria costuma ser uma das que têm maior volume de investimentos entre todos os multimercados;

Macro

Realizam operações utilizando estratégias de investimento baseadas em cenários macroeconômicos de médio e longo prazos;

Trading

Exploram oportunidades de ganhos a partir de movimentos de curto prazo nos preços dos ativos;

Long and Short – direcional

Fazem operações de ativos e derivativos ligados ao mercado de renda variável. Montam posições compradas e vendidas e buscam resultado com a diferença dessas posições;

Long and Short – neutro

Também montam posições compradas e vendidas com ativos e derivativos ligados ao mercado de renda variável. Porém, têm o objetivo de manter a exposição financeira líquida limitada a 5%;

Juros e moedas

Buscam retorno no longo prazo com investimentos em ativos de renda fixa com risco de juros, risco de índice de preço e risco de moeda estrangeira. Não têm exposição a ativos de renda variável como ações;

Capital protegido

Buscam retornos em mercados de risco, procurando proteger, parcial ou totalmente, o principal investido;

Estratégia específica

Adotam estratégia de investimento que implique riscos específicos, tais como commodities ou futuro de índice;

Investimento no exterior

Investem pelo menos 40% do patrimônio líquido em ativos financeiros no exterior. Também são uma das maiores categorias de fundos multimercados.

Melhores fundos multimercado

De acordo com levantamento com dados da empresa Economática, os melhores fundos multimercado nos ano passado foram:

  • Vitreo Criptomoedas FICFI Mult le, com retorno de 357,25% nos últimos 12 meses;
  • BTG Pactual Equity Tof FI Mult, com retorno de 93,45% no mesmo período;
  • Logos Total Return FICFI Mult, retorno de 71,02%;
  • Bahia Am Long Biased Fc de FI Mult, retorno de 54,05%;
  • Truxt I Long Bias FICFI Mult, retorno de 53,08%;
  • Versa Long Biased FI Mult, retorno de 51,17%;
  • JGP Equity Fc FI Mult, retorno de 50,11%;
  • Pacifico Lb Fc FI Mult, retorno de 48,67%;
  • Santander Global Equities Dólar Master Mult Ie FI, retorno de 47,48%;
  • Manager Jss Sustainable e G T FI Mult Ie, retorno de 46,94%;
  • No mesmo período (12 meses), o CDI oscilou 2,14%.

Nota: os dados acima são apenas informativos e não representam indicação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura, ok?

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Conclusão

Por fim, os fundos de hedge combinam diversificação, rentabilidade e estratégia de forma interessante. No entanto, escolher um bom fundo não é fácil.

Existem muitas alternativas e fundos que não têm vida útil longa. Portanto, é importante observar a força do gestor e o histórico dos fundos.

Por histórico quero dizer prazo mais longo, 10 anos ou mais. O suficiente para a estratégia (e seus retornos) resistir a tempos econômicos difíceis.

Além de avaliar o próprio fundo, é importante basear a escolha em seu próprio perfil de risco. E invista também em outros ativos (como renda fixa e ações).

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